Metodologia
Na trilha dos 12 Passos: uma proposta de recuperação da dependência do álcool e de outras drogas
Os 12 Passos de Alcoólicos Anônimos (AA) originaram-se na década de 1930, a partir da experiência de William Griffith Wilson (Bill W.), corretor da Bolsa de Nova York, e Robert Holbrook Smith (Dr. Bob), médico cirurgião de Akron, Ohio, que buscaram superar o uso problemático de álcool por meio de apoio mútuo e mudança de comportamento.
A sistematização dessa experiência deu origem ao programa de recuperação de Alcoólicos Anônimos, posteriormente adaptado para diferentes contextos e públicos, sendo hoje utilizado por diversos grupos de apoio voltados a pessoas com Transtorno por Uso de Substâncias (TUS) e outras compulsões comportamentais.
A abordagem dos 12 Passos baseia-se em princípios como reconhecimento da condição pessoal, responsabilidade sobre o próprio processo de mudança, apoio entre pares e desenvolvimento de dimensões éticas e espirituais, respeitando a individualidade de cada participante.
Trata-se de uma metodologia amplamente utilizada em grupos de ajuda mútua e frequentemente incorporada, de forma complementar, por serviços e programas de atenção a pessoas com TUS, incluindo Comunidades Terapêuticas, não substituindo, contudo, o acompanhamento pelas redes públicas de saúde e assistência social.
A proposta enfatiza a adesão voluntária, o compromisso com o processo de recuperação e o fortalecimento de vínculos interpessoais como elementos centrais para a manutenção de mudanças sustentáveis no estilo de vida.
“Somos como passageiros de um grande navio momentos após serem salvos de um naufrágio, quando a camaradagem, a alegria e a democracia reinam por toda a embarcação, desde a mesa mais humilde dos passageiros de segunda à do capitão.” (Bill W.)
Os 12 Passos
[Texto dos 12 Passos extraído do site Alcoólicos Anônimos Online]
A Comunidade Terapêutica, que se distingue de clínicas e centros de recuperação, tem demonstrado ser uma abordagem eficaz no tratamento de pessoas que abusaram de substâncias psicoativas, bem como na resolução de problemas de vida relacionados a esse abuso. Trata-se essencialmente de uma prática de autoajuda, desenvolvida fora dos métodos tradicionais de tratamento.
Hoje, a Comunidade Terapêutica evoluiu para uma modalidade sofisticada de serviços humanos, como pode ser comprovado pela diversidade de serviços oferecidos, pela variedade de pessoas atendidas e pelo crescente corpo de pesquisas relacionadas a essa abordagem.
Segundo De Leon, o método terapêutico utilizado é a própria COMUNIDADE. Um ambiente altamente estruturado, capaz de promover a reestruturação do indivíduo que dele necessita. Nesse sentido, a Comunidade Terapêutica acolhe e reestrutura aquele que se encontra perdido e necessitado de apoio.
O programa que nossa entidade oferece sugere o Projeto Terapêutico que está baseado no Plano de Atendimento Singular (PAS), que tem por objetivo principal a singularização do atendimento de acordo com peculiaridades e necessidades subjetivas.
Nossa proposta de tratamento visa principalmente a reinserção social do(a) residente, promovendo a todo momento o empoderamento e a autonomia do(a) mesmo(a), o que contribui para a crescente desinstitucionalização, através da progressão das seguintes fases:
- Adaptação e Avaliação Inicial: Estabilização inicial, vinculação terapêutica e diagnóstico ampliado.
- Consolidação Terapêutica: Aprofundamento do processo terapêutico e estruturação de estratégias de autorregulação.
- Reabilitação Psicossocial e Ressocialização Progressiva: Generalização de habilidades e preparação para reinserção social.
- Ressocialização Inicial;
- Ressocialização Intermediária;
- Ressocialização Avançada.
- Alta Terapêutica e Reforço Terapêutico: Consolidação da autonomia e transição planejada para o meio comunitário.
O tratamento tem uma duração mínima de 9 meses e máxima de 12 meses, dependendo da evolução de cada residente, podendo realizar um reforço terapêutico prorrogado conforme avaliação da equipe.