De volta as ditaduras

Ditadura são governos que legislam por ditados e decretos, sem consulta popular e sem chance para os cidadãos se manifestarem com liberdade. Pode haver ditadura de partido, como foi o caso dos partidos comunistas, sempre apoiados pelas forças armadas, ou de indivíduo também apoiado por forças armadas. Sem elas não há ditadura. Mas sem elas também não há democracia. Ditadura é o poder nas mãos de alguns oligarcas. A nação não é consultada e, quando é, manipulam-se os resultados.

Típico das ditaduras é a manipulação das eleições para que, embora com aparência de democracia, um grupo permaneça eternamente no poder. A América Latina que conheceu nos últimos vinte anos largo período de democracia, vê-se, agora, às turras com governos que manipulam as eleições e se perpetuam no poder. Dá-se um jeito de pressionar a imprensa para que não faça oposição, ameaçar governadores ou partidos que se opõem, afim de que aqueles que estão no poder possam legislar sem o devido debate.

Uma característica fundamental da democracia é o debate, o diálogo entre o governo e a oposição, ambos eleitos: um para governar e outro para vigiar o governo. A característica da ditadura é a eliminação de quem vigia o governo. As pessoas simples ou as ligadas a um grupo de poder que apoiam uma ditadura provavelmente acreditam que o debate é desnecessário e dão um cheque em branco ao ditador ou ao partido ditatorial.

Característica da ditadura é a indisposição contra quem quer conversar sobre possíveis novas leis ou mudanças políticas. Por esta e por outras razões é que a democracia é um governo muito mais difícil de se exercer. A ditadura é governo mais fácil. Mas soa a hora em que o povo se cansa e vai às ruas, como tem aconteceu na Europa comunista e acontece hoje nos países árabes. Exigem a saída do ditador e de seu grupo. Desesperado ele mata dez, vinte, trinta mil, massacra ou deixa milhares a morrer de fome, mas não abre mão do poder.

Corrompidos e enfeitiçados pelo poder e incapazes de imaginar que alguém governe melhor do que eles, os ditadores matam, mas não deixam o governo. É a idolatria da riqueza e do poder que se instalada no regime ditatorial. A América Latina que já conheceu várias ditaduras de direita e por 50 anos conviveu com uma de esquerda, precisa estar atenta contra os golpes brancos. Quando cidadãos do partido do governo ocupam a quase totalidade dos postos chaves de um país a democracia está em crise.

Quando os governantes não permitem que os oponentes tenham emissoras ou imprensa, nem que concorram a cargos eletivos é porque naquele país venceu a ditadura. Fidel Castro colocou no cárcere por muitos anos seus companheiros de revolução que ousaram discordar dos rumos de seu governo. Governante sorridente não é o mesmo que governante democrático. Ditadura não é coisa boa nem mesmo quando o governante chega a 90% de popularidade. Se matou para chegar e ficar no poder, democrata é que não é! Muito menos humanista!

AUTOR: Pe. Zezinho, SCJ